sábado, junho 30, 2007

Jornal


Sábado. Noite. Não vejo horas para estar contigo outra vez. Eu não estou. A minha alma está. 22h27. Ainda não te deitaste mas pouco falta. Estou ansioso. Qualquer acção que faças eu sustenho a respiração. Quando te sentas. Quando pegas em algo. Como agora. Vestes o pijama acendes o candeeiro e pegas num jornal. Sentada com as pernas esticadas na cama. Sou a almofada que te aconchega as costas. Sou o lençol que te cobre levemente. Pouco te toco. Só com carícias. Sempre com medo. Amor. Vais desfolhando o jornal à medida que vais lendo. Devagar. Sem pressas. Riste sozinha porque sujaste os dedos com a tinta do jornal. Mas não te importas e continuas. No teu jornal não há notícias. Recordas momentos. E imagina-los no jornal. Há algo que te faz lembrar de mim. Percebo isso pela maneira como sorris. É diferente. É um sorriso mais meigo. Nunca encontrei algo mais perfeito que o teu sorriso. Este. O teu. O do meu Amor. Neste jornal eu apareço em todas as páginas. Em todas as palavras. Em todas as letras. E isso deixa-te reconfortada. Acompanhada. Com se estivesse aí contigo. Nós. O sono vai entrando. Devagarinho. Fechas o jornal. Entreabro a janela. A rua acalmou. A noite espera que adormeças para ver um anjo a dormir. Eu também fico. Toda a noite. Sem limite de horas. A proteger-te de tudo. A proteger o meu Anjo. Até de manhã.

No jornal da vida, és o anúncio que a minha alma precisava.

quinta-feira, maio 31, 2007

Silêncio


Pego-te pela mão. Não dizes uma palavra. Confias em mim. Já sinto a falta da tua expressão quando não sabes para onde vais mas avanças. Sem medo. Com a tua camisola rosa. Comigo. Hoje preciso dos teus carinhos. Daquele beijo. Desse abraço. Deste cafuné. Muitos. Dás com ternura. Só tu sabes dar. Com carinho. Enquanto caminhamos lentamente pela relva. Chegamos. Ficamos parados a olhar para todo o lado como se fosse uma maravilha do Mundo. E é. Qualquer sitio onde estejas é um paraíso. Tiras as sandálias. Molhas os pés com cuidado. A água não está fria mas quando olhas para mim finges que está. Depois vais sorrindo até te rires. Acaricias-me a cara como nunca fizeste antes. Eu sorrio. Adoro. Sentamo-nos na ponta. Abraças-me e encostas a cabeça no meu ombro. Sinto-te a respirar calmamente. Como se não houvesse tempo. Ou existe está longe daqui. A tarde não chega. A noite também não. Mas os teus carinhos são infinitos. Deste afago. Desta carícia que só tu sabes fazer. Hoje não vamos para casa. Quero sempre mais ternuras e carinhos teus.

Mesmo sem dizeres nada, os teus carinhos são reconfortantes.

quinta-feira, abril 26, 2007

Chuva

Chove muito. Faz frio. Prometeste vir até mim hoje. Espera por mim. Disseste como desabafo de já sentir saudades quando ainda nem nos tínhamos ido embora. Também sinto isso. Também me custa. Acordo e a primeira coisa que faço é olhar para o relógio impaciente. O meu coração bate por ti. Olho para todos os lados. Respiro esporadicamente. Sais de casa. Agarras o casaco para não fugir com o vento. Sou o teu casaco. Esse felpudo. O quentinho. Sou essa camisola rosa. A fofinha. Sou tudo o que te faça aquecer. De chapéu de chuva ao alto andas sem parar. Estou ainda em pijama. A contar os segundos. 21. 22. 23. Até ao 60. Depois recomeço. O tempo anda mais devagar quando pensamos nele. Ainda falta para cá chegares. A chuva continua. O meu Amor vem cá hoje. Digo baixinho para o coração acalmar. Páras numa passadeira. Os carros param também. Tal como eu quando te vi. A calçada é irregular. Os teus sapatos fazem estalidos. Mas o teu coração nem te deixa ouvir. Desisto. Não aguento mais a espera. Atiro o pijama para qualquer lado. Visto algo a pressa. Levo casaco. Mas não chapéu. Corro. Até ti. Até te ver. Tu vais calma. Os anjos não correm. Voam. O meu coração já te sente perto. Mas ainda não te vejo. A chuva abranda. Tu voas. Eu corro. Já te vejo. Não reparas em mim. Não estás a espera. Páro de correr. Vou andando. As gotas são ínfimas. Olhas para mim e páras de andar. Respiras fundo. Eu também. O tempo muda. Não chove. Faz Sol. Céu azul. Nuvens brancas. Algodão. Agarraste a mim. Mesmo todo molhado. Riste. Não aguentavas a espera? Não, meu anjo...Tu sabes que nunca aguento. De mão dada voltamos para minha casa. Sem pressa. Só aos beijos.

Não consigo viver sem ti.

sábado, março 31, 2007

Dança


Uma surpresa. Fecha os olhos. A orquestra está preparada. Os instrumentos afinados. Na sala onde estamos o chão é de madeira. Um dois três. Respiro fundo. Destapas-me os olhos com as mãos de fada. Tocam música de tango. Esperas por uma reacção minha enquanto me olhas. Não sei dançar. Mas tu ensinas-me. Dizes-me: não tenhas medo. Com um sorriso que me deixa mais leve. Basta isso. Os passos lentos que dás parece os de um anjo. Seguras-me na mão. Olhas-me nos olhos. Rio-me com vergonha. Baixo o olhar. Pedes para levantar a cabeça. Eu nem hesito. Sopras-me ao ouvido. Eu estou aqui. Seguro-te na cintura. E avançamos. Um. Dois. Três. A dança é lenta. Ou pelo menos assim parece. Seguras-me com calma mas sempre com o sorriso. Entro no ritmo. Dizes: Vês, é fácil. Amo-te. Abraço-te. Transpiras sensualidade. Com a flor que tens no cabelo. A minha alma abraça a tua. O espaço muda. Olho a volta e vejo-me contigo. Sozinhos. Junto a um banco. Ao pé da praia. O desenrolar das ondas lá ao fundo. Continuamos a dançar. O chão agora é areia. Não há orquestra. Não há som de passos. Mas não notamos. Dançamos mais duas ou três músicas. Depois paramos. Voltamos ao salão. Saímos de mão dada. Vamos ver o mar. Aconchegados um no outro. Na praia. Sentados no banco.

Na dança, as nossas almas juntam-se e somos um só.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

A Carta 3


A carta chegou pela manhã. Ainda estás a dormir. Debruçada na janela do teu quarto. A tentar chamar a tua atenção. Está frio cá fora. Não reparas nela. Depois de te espreguiçares é que a notas. Estranhas porque nunca tinhas visto uma carta assim, sem remetente apenas com um Para o meu Amor. A música que dá na rádio deixa-te pensativa mas com um grande sorriso. Esse mesmo que me paralisou. Amo-te. Puxas o cortinado. A luz pede licença para entrar. Posso? Devagarinho a luz ilumina nas coisas que tens no quarto. O teu pijama reflecte o que tens na alma. Um grande coração. A minha está no papel. Agarrada a cada palavra. Aqueço cada frase para te aquecer o coração. Logo de manhã. Sabes que fui eu que a escrevi. Mesmo antes de abrir. Mas continuas com a incerteza. O mundo sustém a respiração. Só quando acabas de a reler é que continua. Sentes saudades minhas mas ao mesmo tempo são saciadas pelas minhas palavras. Na minha ausência. Na minha presença. Encostas a carta ao peito. Largos minutos. Abraço-te. Amo-te. Tens o coração aos pulos. De contente. Foi a primeira carta que recebeste. Assim. Pela manhã. Por mim.

As tuas saudades são acalmadas pelas minhas palavras.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

A Carta 2


15.01.07
Olá Amor! Não há uma ocasião especial para te escrever. Mas gostava que soubesses mais uma vez que te amo. E que desde o dia em que te vi que te acho um anjo. O meu anjo. Que com a alma aos pulos, caiu-me nos braços e me conquistou pelo olhar. Pedi-te para ficares comigo. Juntinhos. A nossa estória. Adoro todo o segundo passado contigo. Todo aquele minuto de silêncio que mantemos depois do longo beijo. Sinto falta de ti. Neste momento. Bastam meia-dúzia de passos longe para sentir saudades tuas. Do teu calor. Sinto-me plenamente amado por ti. Só os anjos amam assim. Só as almas conseguem manter uma paixão assim. Não há nada que nos faça separar. Fomos feitos um para o outro. Arrisco mesmo em dizer. Nem mais. Nem menos. Para sempre. Amor eterno e ininterrupto. Na terra ou no céu. Almas ligadas pelo amor. Relembro-me várias vezes das nossas saídas. Pelo jardim. A correr monumentos. A tomar banho nas águas do mar. No aconchego do quarto. Na ternura das nuvens. Em todo o lado que esteja é motivo de saudade. Guardo tudo cá dentro. Ao teu lado. É de noite que os pensamentos me surgem. Agora. Amor sempre presente. Há uma coisa que nunca consegui te dizer. Por medo. Nunca consegui te dizer adeus. A nossa alma apenas diz um até já. Por breves momentos. Simples. Assim a noção de saudade é menos dolorosa. Por momentos.
Espero que gostes desta carta. Fi-la a pensar em ti. No meu amorzinho lindo. Amo-te muito. Beijinhos.

Até já.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

A Carta 1


Está decidido. Escolho o papel mais macio. Puxo a cadeira. Abro a caneta. Hoje escrevo para ti. Ao meu Amor. Data. Local. Sendo tu a minha musa não preciso de inspiração divina. Nada. Falo sobre o dia em que te conheci. Manhã. Paro a pensar em ti. Quando me beijas a rir. Ou a respirar fundo depois de falares sem pausas. Amo-te. Escrevo sobre as nossas almas. Mais unidas que sempre. Uma só. Que me sinto amado por ti e que não consigo devolver todo o amor que me dás. Imenso. Sem medida. Imagino-te no quarto a ler. Talvez deitada. O Pencas acompanhar. Com excesso de luz para não te escapar nada. Abstraída de tudo. Gostava de estar ao pé de ti. A lê-la. Sorriso. Com calma. Escrevo sem parar. A minha alma ajuda. Assim. Termino. Dobro o papel. Envio o carta em correio azul com o céu. Até ao meu amor.

Pulverizo a carta com as estrelas e selo o envelope com um beijo.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Candeeiro


Sonho. Domingo. Manhã. Casa. Espelho. Respiração. Olhar. Hora. Porta. Sombra. Vidro. Nuvem. Árvores. Chuva. Algodão. Vento. Horizonte. Nunca. Pedra. Distância. Quente. Água. Café. Suave. Caneta. Traço. Espaço. Nome. Limpo. Rua. Roupa. Frio. Chão. Calçada. Percurso. Semáforo. Estrada. Luz. Sol. Alegria. Cumprimento. Olá. Beijo. Amo-te. Também. Coração. Abraço. Mãos. Lágrima. Relva. Juntos. Fotografia. Momento. Guardado. Perdição. Música. Dança. Dois. Horas. Voltar. Passeio. Tapete. Chave. Acalmar. Sofá. Quarto. Banho. Toalha. Pijama. Cama. Quente. Candeeiro. Peluche. Almofada. Boa. Noite. Até. Amanhã.

Contigo o meu dia é mais simples.

domingo, novembro 12, 2006

Toque


A luz encandeia-te. Forte. Mesmo com a mão ensombrando os olhos, deixa-a escorrer. Não a prende. Dá-me a tua mão. Vamos andar por aí. Entrelaçemos os dedos para não me largares. Todas as linhas da tua mão dizem que te amo. Que vamos ficar juntos para sempre. São delicadas. Quando a pousas no meu peito e sentes o meu coração a bater. Com vergonha escondes-te atrás delas tapando a face. Não tenhas medo. Gosto das tuas mãos. O toque dos teus dedos transportam uma calma imensa. Quando juntas a palma das mãos e pedes um desejo. Pausa. Pedes outro. São sempre secretos são sempre nossos. Piscas-me o olho e acaricias-me a cara. Afagas-me o cabelo. Beijo-te uma mão. Depois a outra.

Basta o toque dos teus dedos para acalmar a minha saudade por ti.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Olhar


No fundo dos teus olhos está a minha perdição. A minha tentação. Não há nada mais meigo em ti que os teus olhos. Em nada. Até a Lua foge envergonhada com a beleza do teu olhar. São belos. Avassaladores. Não consigo parar de olhar para eles. Guiam-me por onde quer que vá. Por ali. São completamente diferentes de todos que já vi. Têm algo que me prende. Que me impede de olhar para outro lado. Penetrantes. Apaixonei-me por eles no primeiro momento. Em qualquer situação eles têm um mistério. Nas fotos. Quando tens sono. Semi-cerrados brilham mais que duas estrelas grandes. Quando acordas. E a imagem turva. Exteriozam tudo o que te vai na alma. Cá dentro. Falam por ti. De ti. Sem malícia apenas meiguice. Sempre meigos.

Foram os teus olhos que me fizeram apaixonar por ti.

terça-feira, outubro 10, 2006

Tempo


23h26. Onde vais? Estás aqui. Estás quente. Estou aqui. Contigo. Lindo sorriso. Camisola fofinha. Macia. Há um silêncio lá fora à espera de te ver. À janela. Quando fechas as cortinas. Cobres a luz do quarto que sai pelos vidros. Fica comigo. Deixa-me estar agarrado a ti. Assim. O frio lá fora não te faz frente. Não deixo. Eu aqueço-te o coração. Quentinho. 23h42. O sono faz-te semi-cerrar os olhos. Eu e a manta mantemos-te quente. Não te largo. Nem por um segundo. Aconteça o que acontecer. Amo-te muito. Muito. Não te quero perder. Nunca. Faço-te cócegas. Abres os olhos. Olá. Adoras as minhas tropelias. Meigo. Desligo a luz. 00h18. Já dormes. O silêncio permanece. O frio continua lá fora. A noite caminha. E eu... adormeço nos teus braços. Agarrado a ti. Até ser de manhã.

Durante a noite sou a tua companhia mesmo quando dormes.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Ilha


Ligo o candeeiro. Coloquei-a na mesa de cabeçeira. Inclinada para a ver quando acordo. Foto. Emoldurada. Estás a rir. Olhas o céu. Eu estou ao teu lado a olhar de frente para a máquina. Estavamos à beira-mar. Lembro-me ainda da conversa. Dizias que gostavas de navegar. Ilha. Areia. Deserta. Sentada num barco íamos para um lugar secreto. Só nosso. Ninguém conhece. Eu e tu a percorrer a praia por inteiro. O Pôr-do-Sol aqui é único. Diferente. Tímido. A floresta é densa. Sentados na areia falavamos em lá voltar. De mão dada. Refúgio. As horas aqui não importam. Não fazem falta. Em nada. Voltamos de barco. Sentaste na proa. Sentes o vento com cheiro a mar a mimar-te a face. Alma contente. Desligo a luz. Volto-me para o lado e adormeço. Olá.

Ao olhar para a nosso fotografia sinto saudades de andar contigo no nosso refúgio.

terça-feira, setembro 19, 2006

Caminho



Hoje não te encontro. Já fui a todos os sítios onde estivemos juntos. Nada. Voo até um jardim. Não te oiço. Não te vejo. Abraço o caminho e rumo sem destino. Volto aos mesmos sítios. Não estás. Olhando para a esquerda e direita nem o teu perfume contemplo. Estarás doente? Estarás perdida? No eco do teu nome que oiço pela minha voz, perco-me a pensar em ti. Sento-me na Lua. Faço do céu mesa para me apoiar. Não te tenho aqui, mas sinto-te. Aperto o coração. Sinto-te. Amor. Distraidamente sais do meu coração. Levantas-te e ficas mesmo em frente a mim. Meu Amor. Desde que fui à tua procura estiveste sempre no meu coração. Trouxe-te no meu peito. Sempre comigo. Procurar-te-ei doravante primeiro no meu coração. Estarás sempre lá. Quietinha. Aconchegada a mim. Aninhada no meu peito. Cá dentro.

É no meu coração que guardo para sempre o meu amor por ti.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Quarto


Nestas quatro paredes o tempo parou. No teu quarto estamos os dois aos beijos. Amo-te. De coração. A luz é tão fraca que te ilumina apenas a face e os olhos. Perfeita. Sentados na tua cama falamos sobre tudo. Amor. Do nosso. Flores. Da tua rosa de estimação. Velas. Esta mesma que nos faz ambiente. Praia. De uma onda que te molhou os pés e te arrepiaste. Do teu peluche. O Pencas que está sentado também a meio da cama. Sorrio-te com uma pitada de orgulho. Contas que todas estas coisas te fizeram pensar em mim. Que sentiste a minha presença. A minha alma. Beijo-te uma vez mais. Enrolo o teu cabelo com o dedo. Sorrio-te e digo-te: Sim amor, fui vela rosa peluche onda e vento. O tempo volta a gatinhar pelo soalho da tua casa. Os teus olhos brilham como duas estrelas. Beijas-me continuamente. Adoro-te. Encostas a cabeça no meu ombro. Agarras-me pelo tronco. Uma gota de água escorre-te a medo pela face. Dizes: amo-te muito! Não me deixes! Com calma enxuto-te a gota. Digo-te: És tudo para mim. Deixar-te era abandonar o meu coração para sempre do amor. E não o vou fazer. Abro a janela e grito que te amo. Riste puerilmente.

Faço questão que toda a gente saiba que te amo.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Onda


Depois de ter mergulhado em mar profundo, encho os pulmões de ar. Fresco. Completos. Hoje foste à praia já a meio do pôr do sol. Bikini, sandálias. Chamo o vento para vir comigo. Agarro-me numa onda e navego até ti. Alma viajante. Irrequieta. Daqui ainda não te vejo mas anseio esse momento. Romântico. Tenho o Sol a iluminar-me o caminho. Infinito. Imagino como estarás. Linda como sempre. Continuo na viagem. Sempre em frente. Já te consigo ver. Amor. Estás sozinha na praia. Olhas para o mar como se fosse algo único. De valor. Quase a chegar a ti seguro-me também ao vento. A onda onde navegava desenrola na areia. Beijo-te os pés a medo. Com o vento abraço-te como nunca. Arrepias-te. Sou eu. Só eu.

No desanuviar das ondas chamo por ti e no mar te amo.

terça-feira, agosto 15, 2006

Peluche


Hoje chamo-me Pencas. Estou mesmo ao teu lado. De vez em quando acaricias-me. Carinhosa. O teu peluche que está ao teu lado, hoje sou eu. Presente. Tenho uma história longa. Quando queres dormir tiras-me da cama. Sonolenta. Mas sempre com cuidado. És meiga até para os peluches. Gosto disso em ti. Meu Amor. Quando tens frio pegas em mim. Agarras-me. Á noite. Fico tão junto do teu coração que o sinto a bater. Pum, pum... Não está acelerado. Respiras como os anjos respiram. Adoro quando me seguras pela barriga. Cócegas. Fazes-me caretas. Hmmm... Tenho o teu perfume. Sorris-me. Durante a noite pousas a tua mão em cima de mim. Eu agarro-te como posso. Sentes-me perto de ti. Sorris a dormir. Eu pulo de alegria. Meu Amor.

Sentes-te mais segura à noite comigo ao teu lado.

quinta-feira, julho 20, 2006

Banco


Faz-me falta sair contigo. Passear à noite. No silêncio. Andarmos pelo jardim e encontrar um banco. Junto a uma árvore. A Lua mantém a sua distância e as estrelas brilham como nunca. Luz. Como deve ser. O céu é tingido de várias cores. Raios de Sol. Violeta. Vermelho. Riste quando brinco com as estrelas. Conto-as. Perco-me a olhar para ti. Bela. O paraíso mudou de lugar. Aqui. Contigo. Agarro-me a ti. Vamo-nos deitar na relva. Quente. Respiramos fundo. Escrevo no céu: Amo-te. Tu gostas. Eu adoro. Com o vento a bater ao de leve nas folhas proporciona uma melodia. Romântica. Compassada. Juramos voltar lá sempre. Beijamo-nos sem parar. Regressamos a casa. Deitas-te. Fechas os olhos. A minha alma espera pela tua no mesmo jardim. Contemplamos as plantas. Árvores. O amo-te ainda está no céu. Fica até acordares. Só para ti. Só por ti.

Depois as nossas almas voltam para ficarmos juntos a vida inteira.

domingo, julho 16, 2006

Vela


Ás vezes, apenas na brincadeira voo até uma vela. Sou cera, pavio torcido. Chama. Ilumino-te o quarto com a luz difusa. Azul. Amarelo. Laranja. Quando te aproximas inclino a chama para te ver melhor. Faço-te o ambiente perfeito para relaxares. Calma. Paulatinamente vou escorrendo a cera. Não há pressa. A noite lá fora espreita. Debruça-se no parapeito da janela e aí fica. Eu ilumino mais. Luz difusa. Pouco se ouve o que se passa lá fora. Vruummm... Carro. Da fresta que abriste na janela o vento assobia com medo. Parecem palavras sussurradas mas que não te chegam ao ouvido. Eu oiço. Amo-te. Trepido a chama. Balanço para os lados. Olhas para mim. Amor. Inundo-te com a luz amarelada. Sorris. Inclinas-te para perceber os meus movimentos. Esquerda direita. Embalo-te até adormeceres. Dormes como um anjo. Meu. Saio da vela e vou ter contigo. Olá amor.

Numa vela embalo-te até adormeceres.

quinta-feira, julho 13, 2006

Rosa


Numa rosa o meu coração habita. Vermelho. A baloiçar ao vento. Sou daquelas flores que se empolgam todas para serem cheiradas por ti. Contente. Que à noite fico quieto à tua espera. Impaciente. Só espero por ti. Quando não apareces vou à tua procura. Alma versátil. Posso ficar onde quiser aguardando que passes. Posso ser o que quiser: Rosa, acácia, túlipa. Basta que olhes para mim. Gostava de ficar para sempre numa jarra no teu quarto. Todos os dias te olhava ao acordares. Sem murchar. Viva. Dar-te os bons dias. Inundar-te o quarto com o meu perfume. Bastava. Sim. Sou apenas flor. Sem folhas nem espinhos. Só suavidade e delicadeza. Não preciso de água. Só de sorrisos. Teus. Não sou flor de tango. Nem tão-pouco de canteiros. Importante. Estou na rosa porque olhas para ela. Permaneço nela. Sorrio para ti.

Na rosa encontras o meu coração a bater por ti.

segunda-feira, julho 10, 2006

Sonho



Hoje adormeci mais cedo. Deitei-me. A noite está quente. A luz é tão fraca que poucas sombras faz. Não se ouvem palavras. Sussurros. A minha alma vai lenta. Sem pressa. Ter com a tua. Aconchego-me na almofada. As estrelas pouco pintam o céu. Mas não precisam. A estrela mais brilhante és tu. Os teus olhos bastam para me iluminar o caminho. Longe. Onde estamos a Lua mantém-se imóvel. Só olha para ti. Branca. Imensa. A noite depois de te sentir acalma. As estrelas brilham mais. O caminho torna-se mais curto. As nossas almas vagueiam por aí. No jardim. Pelos canteiros. Rosas. Relva. Sem vento as flores não te acompanham. Mas eu mantenho-me ao teu lado. Agarrado a ti.

Quando adormeço sinto-te mais perto de mim.

sexta-feira, julho 07, 2006

Janela


Em cada janela existe uma ânsia em ir ter contigo. Querer beijar-te até ficar sem fôlego. O bater do coração. De enovelar os meus dedos nos teus cabelos. Dizer-te que o Sol só ilumina o mundo para poder-te ver. Incessante. E que à Lua volta todas as noites, para te poder embalar no sono. Baixinho. As estrelas curiosas também. A minha alma fica com a tua. Sempre. Decorar cada traço teu. Seguir-te. A tua sombra no chão. Lenta. Da minha janela vejo o horizonte. Uma linha ténue. De onde parte o arco-íris. Vou correr sem parar até te sentir aqui. Câmara lenta. Junto ao meu peito. Respiramos o ar que ainda falta por respirar. Andamos de mão dada. A sorrir.

Abrimos a janela e sentimos saudade um do outro.

quarta-feira, julho 05, 2006

Estrelas



A noite assim torna-se mais calma para mim. Sentimento de paz. O mundo gira mais devagar. As palavras soam melhor. Magistrais. A minha alma baila-me por dentro. Quer ir ter com ela. Acariciar-lhe o cabelo. Lembro-me dela. Dos olhos dela. Brilhantes. Lembro-me de ter conversas com ela até ao amanhecer... A Lua ilumina-me o quarto por inteiro. Abro a janela. Silêncio. Ninguém na rua. Deito-me e adormeço. Eu fico. A minha alma vai ter com a dela. Já estava à minha espera. Voamos até cansar. Até à praia. Seguimos em frente. Cada onda diferente da outra. Contamos as estrelas. Reflectem a sua luz na água do mar, transformado-a em algo mais precioso. Mais límpido. Fico com ela até acordar. Não havia mais alma nenhuma com que a minha quisesse estar.

Contámos estrelas até chegar a palavra amo-te.

segunda-feira, julho 03, 2006

A Noite


Esta é a minha noite particular. É aqui que costumo ter insónias, que me sento numa cadeira e escrevo para passar o tempo. Faça vento. Faça chuva. Nada faz sentir-me contente à noite do que a lentidão da passagem do tempo. Um minuto. Outro minuto. Aqui fica tudo mais parado, mais romântico. Lareira incluída. Luz vagarosa. A noite aqui é perfeita. A Lua. São os pontos de luz que estão no céu que iluminam a rua lá fora. Cá dentro, sou eu e a minha alma. À espera que eu durma para poder sair daqui. Não há Sol para nos aquecer. Apenas a madeira a criptar quando o fogo pede para dançar com ele. Esta noite está decidido... Hoje só vou pensar nela.

Penso nela desde o momento em que a vi.